Tuesday, August 02, 2011

A educação física brasileira e a crise da década de 1980

Esse resumo que fiz na disciplina de corporeidade explica um pouco sobre os motivos da atual situação da educação física no Brasil. Eu achei o texto bem interessante, gostei de explicá-lo com as minhas palavras e queria ouvir a opnião de pessoas de fora (de outra área) sobre o assunto. O texto é enorme e isso é apenas um resumo que fiz pra debater na aula, talvez faltem informações para quem não é da área entender algumas coisas.

O texto ensaio “A educação física brasileira e a crise da década de 1980: entre a solidez e a liquidez” do autor Valter Bracht trata, obviamente, de uma crise pela qual a educação física passou na década de 1980, percorrendo pontos chave que causaram e explicam tal fenômeno.

O ponto de partida e o primeiro desses pontos chave encontrados no texto, contextualiza a então situação histórica da educação física na década de 80, discorrendo sobre a prática pedagógica em educação física, que se encontrava em crise de identidade. Naquela época foi colocada em questão o sentido e a função educacional da educação física no sistema educacional brasileiro, bem como, sua função social em tal sistema. Até então a educação física se restringia, de forma generalizada, às práticas desportivas e ao desenvolvimento da aptidão física (aptidão física essa que era alcançada prioritariamente pela própria prática esportiva) e com pouquíssima atuação na primeira parte do ensino fundamental. Tal núcleo gerador, incentivado inclusive pelo Estado, era tão forte que influenciava na formação dos professores de educação física, consolidando também no imaginário social, a vinculação única da educação física e esporte.

Porém, o autor destaca o fato dessa análise não ser observada no primeiro segmento do ensino fundamental (na época 1º grau), onde a educação física estava menos presente. E à medida que as atividades lúdicas e recreativas dessa etapa do ensino começam a ser substituídas pelas atividades psicomotoras, passa a ser considerada a proposta de desenvolver as práticas da educação física embasadas nos estudos do desenvolvimento motor, o que daria à educação física fundamento científico sólido. E, apesar da esportivização da educação física estar tão enraizada no imaginário social e também na formação dos profissionais da área; todo um contexto social, político e cultural da época tornou possível a emergência de perspectivas contestadoras da então hegemonia da “educação física-esporte”. O problema era que ao criticar tal núcleo gerador, atacava-se também a “identidade docente” dos professores de educação física, o que levou a um hiato em que muitos professores se indagavam o que deveriam fazer então, já que o que vinham fazendo não era o correto, representado simbolicamente na expressão cunhada por Fensterseifer e González (2007) como um estado entre o "não mais e o ainda não". Ou seja, não mais aquela prática pedagógica que havia se cristalizado, mas também ainda não uma prática renovada.

Outra conseqüência importante dessa desconstrução de identidade foi o deslocamento da didática para a pedagogia, por se entender que a formação dos professores precisaria ser mais sólida no aspecto científico com o intuito de proporcionar uma formação crítica que fosse capaz de lidar com a modificação de sentido e função social da educação física. Parando por aqui, dar-se-ia a entender que todo problema seria resolvido, mas a esperança de que a formação crítica com base nas disciplinas filosofia, sociologia e antropologia seria capaz de causar mudança radical na atuação dos professores morreu na dura constatação de que para mudar a prática pedagógica dos professores não bastaria apenas determinar diretrizes educacionais. Tal dificuldade está ligada a grande complexidade do processo de transformação da prática por se tratar de seres humanos, bem como ao reconhecimento da necessidade do envolvimento no e com o cotidiano da escola. Tal impasse nos leva ao segundo ponto chave do ensaio, a formação profissional em educação física.

No ano 2000 houve a elaboração de diretrizes curriculares para as licenciaturas, que também atingiu a educação física e levou à diferenciação definida para atuação no magistério e para atuação em outras instâncias da educação física (fitness, treinamento, e outros). O autor vê nessa situação algo positivo pois, é muito difícil tentar construir uma identidade profissional que vai contra o reconhecimento social de tal tarefa, ou seja, não adianta construir uma identidade docente com base na idéia de que o professor de educação física é um mediador crítico da cultura corporal de movimento se tal identidade vai ser barrada no imaginário social de que educação física está ligada somente ao esporte, ao fitness e afins. E é aí que a diferenciação é considerada como positiva pelo autor, pois além de possibilitar a formação de melhores professores, supre a necessidade dos “dois tipos de profissional”.

Outro fator fortemente relacionado à formação em educação física nos âmbitos educacionais e político-ideológicos, segundo o autor, é a equação entre o público e o privado no plano do ensino superior do Brasil e o fato de quanto mais o professor cresce na hierarquia acadêmica, mais ele se afasta da escola propriamente dita. Com relação à gestão pública, a construção de diretrizes nas décadas de 80 e 90 evitavam detalhar objetivos, conteúdos e procedimentos, deixando na mão das escolas e dos professores como se dariam as intervenções, dificultando uma solidez que talvez agregasse valor à identidade. No âmbito da prática pedagógica, não bastaria apenas vencer o “paradigma da aptidão física”, mas também proporcionar a formação de indivíduos capazes de se utilizar das práticas corporais aprendidas nas aulas de educação física para se situar histórica, social, cultural e politicamente, tornando-se cidadãos críticos e construtores de cultura.

São vários os aspectos que influenciam na não concretização das teorias críticas da educação física na prática pedagógica nas escolas, e talvez o mais determinante seja a existência de diretrizes que trazem apenas princípios gerais em vez de propostas detalhadas de objetivos, conteúdos, metodologias de ensino e avaliação. O autor defende essa idéia de se determinar essas propostas detalhadas, por que as formações continuadas deveriam sofrer mudanças radicais para que os professores se tornassem capazes de elaborar seus currículos de educação física, assim como as políticas educacionais precisariam considerar estudos e elaboração de planejamento como parte de ação docente. E como isso está longe de acontecer, a melhor opção se mostra a sistematização e oferta de propostas detalhadas aos professores como forma de construir estruturas colaborativas, que inclusive já foram propostas em obras como “Pedagogia crítica em educação física: metodologia do Ensino de educação física”.

No texto, quando o autor aponta a evidente construção de uma nova prática, chama atenção para mais uma crise. Esta se refere à globalização e ao conceito de “modernidade sólida” e “modernidade líquida”, e é aí que entra o terceiro ponto chave do ensaio do autor: Da educação física sólida em direção a educação física líquida.

O que o autor indica como educação física sólida, seria a idéia de que haveria um sentido maior e legítimo para as práticas corporais em nossa sociedade, bem definido e reconhecido. Como quando patrocinado pelo Estado - estando determinado em documentos oficiais de políticas públicas para a educação física e o esporte. O que o autor define como educação física líquida, se refere à metáfora de liquidez de Bauman (2001), que sugere a idéia de significado relativo que varia de acordo com diferentes planos ou perspectivas. Esses significados se dão de diferentes maneiras dependendo do interesse dos agentes manipuladores que geralmente se guiam por regras e interesses de mercado. Como a indústria esportiva (mídia), indústria do fitness, indústria do turismo, que, não lutam por uma hegemonia mas sim por fatias do mercado que absorve seus diferentes significados. Até mesmo o Estado que intervém em projetos sociais que visam conter a marginalidade, ou mesmo quando intervém através do patrocínio de megaeventos esportivos com interesses econômicos.

Depois de discorrer sobre todos esses fatores determinantes para crise de identidade, o autor chama atenção para a aceitação dessa realidade multifacetada da educação física em contrário à tentativa de determinar uma identidade pseudouniversal, mas lembra sobre a importância de compreender os desafios para a prática pedagógica, para a formação profissional e para o currículo que regem a concepção de educação, homem e sociedade presentes na prática do professor de educação física.

Monday, June 20, 2011

Viajem eterna.

Acordei? Enxerguei?

O que enxerguei?

O que sou? Fruto de pensamentos alheios. Fruto de conhecimento que não são meus, e nem teus também.

Penso que talvez, lá no fundo seja quem sou afinal.

Se for assim passivo de conhecimentos alheios, como aqueles que não me conhecem, tenho em mãos tudo que sou através dos outros.

Pensamento, o fruto de tal profunda agonia, indagar quem sou. Conhecer-me em um mundo trancafiado no mais profundo ego.

Vultos de idéias, profunda observação de tudo, visitas ao relento. Sou eu fruto de meu ser?

Quem pensa na vida? Quem pensa na morte? Nada é mais do que especulações eternas e indisponíveis.

Porque não pensas em você, porque não te conheces? Medo? Espelho? Passivo? Ativo? Tem-se medo, não te conheças, porque este baú não se fecha.

Volta pra ignorância, esta palavra que machuca, e nesta que é o ponto do teu perturbo.

Volta pra ignorância, nela encontrarás refúgio.


ps: aaahh as férias, hIHuahaiua.. uma pequena viajem ao meu subconsciente.

Wednesday, June 15, 2011

Blade Runner




Hello!

Caros alguns Kojiros, ou seja, Paulo, Said, Lucas, Felipe e Luiz, venho por meio deste fazer um convite e uma proposta, que não é nenhum kojiro game, nem nenhum kojiro orienteering, mas envolve esporte, alguma competição e a gente junto. É o seguinte, dia 9 de julho como todo mundo sabe tem a corrida de......9 de julho. Já chamei vocês para correrem comigo nas vezes passadas, mas sem êxito. Dessa vez decidi fazer algo diferente (em Roquetas del Mare), chamar vocês para que a gente faça a corrida na categoria revezamento, assim não seria tão longo, apenas 5 km por pessoa, e de certa forma é até mais divertido. Se a maioria se interessar, podemos até pensar numa competição, algum prêmio legal pra dupla que chegar primeiro, quem sabe até uma blusa Kojiro Blade Runner. hauhua. A idéia é que seja feito sorteio para decidir as duplas e ai cada um se quiser treinar um pouco treina, se não chega lá e corre de qualquer jeito mesmo. Anyway. Convite proposto, aguardo coments de vocês para sim e para não.

A inscrição é só até o dia 24 desse mês e custa apenas 2 quilos de feijão.

Abraço.

Thursday, June 09, 2011

O garoto que queria ser rei

coroa

Era um belo dia de verão, um dos últimos, e Pedro saiu para brincar na praia perto da sua casa. Já era costume o garoto brincar só, os pais o acompanharam algumas vezes e, como nunca acontecerá nada, decidiram deixa-lo ir sem ninguém à praia. Aproveitavam para curtir o tempo a sós e reavivar a chama da paixão através de sexo sadomasoquista.
O passatempo de Pedro era criar castelos de areia, provavelmente tinha sido um rei em outra vida, era o que imaginava.
E não era difícil que assim o fosse, o garoto tinha porte de rei. Cabelos loiros e pele alva como a neve. Aos 10, que apresentava agora, já exibia uma dicção espetacular e criava histórias tão originais sobre guerras medievais que só as poderia ter vivido.
Gostava também de lendas como a de Atlântida. Essa em particular.
Indagava-se sobre a veracidade de uma ilha tragada pelo mar. Sobre povos tão evoluídos, mas que não deixaram vestígios de sua civilização. Pessoas com os cabelos brancos e pinturas dourada na pele, inteligentes o bastante para terém ultrapassado os conhecimentos da população atual, mas que irritaram seus deuses e foram resumidas ao pó.

- Avante guerreiros de Atlântida, seu rei vos espera! – Gritava. Fingindo ter acabado de conquistar terras longínquas, em uma de suas histórias
- Eis que encontrei você. – Uma voz desconhecida disse.
- Pai? Mãe? – Pedro buscou apenas com o rabo do olho – Eu ainda estou brincando, será que posso ir pra casa depois?
- Sou teu Pai, mas de outra vida – Repetiu a voz que tinha uma entonação gutural
Ao olhar pra trás Pedro o avistou. Era um homem tão velho quanto a terra. Cabelos brancos e longos. Usava uma toga e um pano engraçado na cabeça. As partes que saiam de sua roupa engraçada exibiam pinturas que pareciam ouro e traçavam desenhos que deviam percorrer todo o corpo do velho. Ele estava descalço.
Era um atlântida, sem dúvida, Pedro pensou.
- Estou a tua procura faz mais de mil anos jovem Anshkar. – Disso o velho atlântida. Pedro apesar de estar fascinado sentia medo, seus pais sempre o alertaram para não conversar com estranhos, mas não conseguia reunir forças para gritar.
- Desculpa senhor, mas eu não o conheço. Acho melhor...
- Não filho – Interrompeu o velho – Me conheces, apenas não se lembras de mim. Sou teu pai de Atlântida. Mandei sua alma para encontrar o corpo digno de um rei pelo mundo. Agora preciso de você para reconstruirmos nosso reino.
- Não acredito! Então sou mesmo um rei? – indagava Pedro, que perdia o medo do estranho pouco a pouco – Vocês ouviram guerreiros? – Perguntou aos seus soldados imaginários.
- Vamos Anshkar, se quer mesmo ser rei, não podemos perder tempo. Vamos até os cômodos em que me instalei enquanto te procurava. Não é longe. – A voz mudava para algo mais convidativo de carinhoso.
- Só preciso avisar meus pais des.. – Ia dizendo Pedro com euforia, feliz demais para reparar que o velho estivera esse verão inteiro na praia.
- Não há tempo! – O velho puxou o garoto pelo braço, que não resistiu tanto quanto o esperado.

Horas depois a polícia, chamada pelos pais de Pedro, encontrou o garoto a ponto de ser abusado. Estava nu e amordaçado.


Foi assim que prenderam Jeremias, o velho pedófilo da praia.

Tuesday, May 31, 2011

A intolerância e o fruto proibido

A intolerância observada na sociedade, ao redor do mundo, não é um fenômeno contemporâneo. Inerente ao homem, essa característica o faz impor obstáculos e enfrenta-los, de maneira que a parcela da população com mais poder é aquela que determina tais regras a serem seguidas. De certa forma os limites de tolerância estabelecidos pelas comunidades humanas lembra um episódio da gênese, na literatura bíblica.

Nas sociedades, segue-se o paradigma comum. A imposição de uma vontade ou limite, de um grupo, em algum período, leva à comunidade a percepção de que o novo foge ao que pode ser aceito, e é este um dos pilares da intolerância. Por analogia, o diferente é o fruto proibido.

Na bíblia, Deus havia criado Adão e Eva e os deixado para desfrutarem o paraíso. Não havia imposições nessa terra e Deus era totalmente tolerante, contanto que suas crias nunca provassem o fruto proibido. A experimentação em ir além dos limites, e provar o que era diferente no paraíso, logrou a Adão e Eva sérias consequências. A rigor, Deus não era totalmente tolerante.

Tal qual na sociedade humana, a fuga de preceitos estabelecidos gera punições. Deus e suas restrições à tolerância estão para as imposições dos grupos com poder dentro da sociedade, como a experimentação do fruto está para as divergências. Ao que fica claro que a intolerância é uma característica humana que remonta de sua criação, mesmo bíblica. Ou seja, é parte indissociável do homem.

Obs. O texto foi uma redação que escrevi para minha professora. O mesmo não teve a aceitação que eu esperava (ou não esperava).

Obs2. Usei como inspiração paráfrases de duas frases enunciadas a seguir.

“O poder da sociedade é quem dita os limites da tolerância” (Freud)

“A justiça é o interesse dos mais fortes” (Platão)

Obs3. Não tive como colocar na redação, por falta de espaço, coisas que achei bem óbvias de discernir do assunto, as quais discutirei.

A ideia atualmente aceita de liberdade - acho - é o que mais tangencia o que considero tolerância. No entanto, a sociedades atuais livres, portanto tolerantes - calma - são paternalistas e pluralistas. Acolhem, como o já explicado no texto principal, as vontades de uma minoria, e isso esconde a intolerância em atitudes tolerantes. O exemplo cabível aqui é o da ONU.

A Organização das Nações Unidas foi criada com o intuito de manter o equilíbrio entre as nações. Porém, é fato que a ONU tolera ataques sem mais explicações dos países com mais poder, como no ataque do EUA ao Iraque. A ONU, portanto, é pluralista e paternalista.

Esses ataques sem explicações, que só em si já são um exemplo claro da intolerância disfarçada de vontade de se levar a liberdade a todos os povos, mostra que a sociedade tolerante tem seus critérios de bem e mal definidos. Isso quer dizer que ela será tolerante para alguns e intolerantes para os outros que fujam de seus preceitos.

O que falta é a racionalidade de que assim como o contrário do amor não deveria ser o ódio, e sim a indiferença, o oposto da tolerância não deveria ser a intolerância, mas sim o respeito.

wtf

Sunday, February 06, 2011

O inacabado

estive revirando minhas anotações esses dias, e achei esse capítulo de "o nome da lâmina". eu escrevi tem pelo menos uns dois anos, e ninguém nunca leu. era pra ser parte de uma história onde o passado de Lobo (que é o principal) é revelado, bem como o porquê dele ser um samurai morto-vivo e o mundo estar cheio de zumbis. acabei só escrevendo esse capítulo e o início do proximo. enjoy it.

A Historia de Lobo - Parte 1

Os sons da batalha enchiam o ar a toda volta, gritos e ecos metalicos ressoam por todo o vale enquanto a pequena vila coberta pela neve do inverno era tragada pelo combate. Enquanto, em uma rua qualquer, um rapaz trajando um kimono vermelho era cercado por quatro homens. Usavam roupas pretas e mascaras de porcelana branca pintadas em vermelho, que lembravam gatos demoníacos com presas sempre à mostra. Os quatro empunhavam espadas, e rondavam o rapaz desarmado ao centro, hesitantes.
O rapaz era magro e baixo, tinha cabelos negros espetados e fundas olherias, que davam ao seu rosto um aspecto mórbido.

- O que temos aqui? - falou uma voz esganiçada por baixo de uma das mascaras.

- Parece que pegamos um pequeno Ogin - Respondeu a voz grave do maior dos quatro.

- Ele deixou cair isso enquanto corria - Disse um terceiro, erquendo uma bolsa de couro. O Caveira Negra de voz esganiçada estendeu a mão, e aparou a bolsa, de tamanho razoavel, que seu companheiro jogou.

Não houve protesto do garoto à isso, ele permanecia imóvel, sem reação.

- Vamos ver o que nosso pequeno Ogin carregava consigo, talvez uma lembrança da mamãe? - O esganiçado novamente, num tom de deboche que arrancou risadas maldosas de seus tres companheiros.

Ele desatava o nó na abertura da bolsa, quando ela escorregou entre seus dedos e caiu no chão, um baque suave contra a neve que o cobria, cuspindo parte de seu conteudo. Ele se retesou ao ver o que a bolsa continha e ficou imóvel. Mascaras de gatos-dêmonio, algumas salpicadas com o sangue de seus antigos proprietarios, sorriram para a manhã nublada.
O garoto sorriu, e por um pequeno instante o tempo pareceu parar, enquanto os Caveiras Negras eram atingidos pela verdade: Eles eram os encurralados. Depois, tudo aconteceu depressa.
O Ogin se virou, e sua mão fez um rapido movimento de arremesso para o Caveira as suas costas. O garoto correu para a lateral da rua e atirou-se janela adentro para uma casa, enquanto o bandido acertado caía, levando as mãos à pequena lâmina negra enterrada em seu pescoço.
Nenhum gato-dêmonio tentou socorrer o companheiro, ao invés disso, correram para a pequena casa de madeira onde o garoto entrara. Um deles pulou pela janela.

-Eu vou arrancar suas trip... - Sua voz esganiçada interrompida em pleno salto, pelo som da sua mascara partindo. Ele desmontou contra o piso de madeira, com um baque alto. Uma lâmina cravada bem entre seus olhos.

Ao mesmo tempo, a porta foi derrubada por um firme chute, revelando os outros dois homens de preto. O Ogin recolheu a espada do esganiçado morto a seus pés e um dos gatos-demônio correu para ele em uma investida. O som de metal contra metal ecoou alto quando o garoto defendeu-se do golpe que arrancaria sua cabeça. Ele preparou-se para contra atacar, mas recebeu um poderoso chute no estômago, antes que tivesse tempo de reagir. Todo o ar o deixou enquanto ele foi arremessado pela sala e bateu forte contra a parede, caindo sentado, com as pernas estendidas.
O gato-demônio aproximou-se, seus passos ecoando na madeira. Posicionou-se diante do Ogin e ergueu a espada no ar, segura pelas duas mãos, pronto para executá-lo. Houve um som de perfuração, e sangue quente voou no rosto do rapaz de vermelho. A ponta de uma lâmina emergira do plexo do Caveira Negra, que ainda segurava a espada acima da cabeça. Ela foi retirada com um chiado baixo e o bandido tombou para o lado, revelando o salvador do Ogin.
Um rapaz de cabelos negros que iam até o queixo encarava o outro com seus olhos muito brancos, lupinos. Usava um kimono vermelho aberto.

- Luna me encontrou - Começou ele - Ela disse que você chamou a atenção dos quatro pra salvá-la, e então eu... -

- Você o quê ? - Interrompeu-o o outro garoto, levantando-se. - Veio ajudar o garotinho indefeso? bancar o heroi pra impressionar a Luna? Eu sei me cuidar. -

- Então esse é o seu problema comigo. Luna. - Respondeu , sem se alterar.

- Não - começou o outro - O problema é você! sempre bacando o herói, queridinho de Alamir! - O rapaz de olheiras fundas agora caminhava na direção do seu salvador.

- Se eu não tivesse "bancado o heroi" agora Law, você não teria mais cabeça. - Disse, sem recuar.

Isso pareceu atingir Law ainda mais, e ele se precipitou para a frente, para atacar o outro. Mas parou de repente, interrompido pela aparição de uma terceira pessoa.

- Luna! - Disse ele surpreso.

Parada junto à porta, ofegante, estava uma garota de curtos cabelos castanhos e olhos muito azuis. Seu rosto inspirava inocencia, contrastando com o Kimono vermelho rasgado nos ombros e com a espada embainhada às suas costas.

- Law, Kan! - Começou ela, parecia com muita pressa.

- Tem algo acontecendo em um grande terreno baldio nos limites da cidade... - Tomou folego

- ... Tem muitos deles lá! Alamir, Janus e mais alguns poucos estão lutando, me mandaram buscar ajuda... -

Ela parou de repente e levou as mãos ao rosto - ... E os corpos... Tantos corpos... é ... é horrivel! - Ela estava chorando.

Kan e Law se olharam por um instante, como se estivessem marcando a discussão pra depois. Então Kan fez um movimento rapido com a espada, o sangue que machava a lâmina passou a decorar a parede, e a embainhou.

- Então vamos, precisamos ajudá-los - Disse ele, andando em direção à porta.

- Você não ouviu oque ela disse? - Começou Law - São muitos! precisamos de mais gente... -

- Eu ouvi bem, são muitos e não há tempo! -

Law resmungou alguma coisa onde só se distinguiu a palavra "herói", mas seguiu o companheiro. Eles seguiram Luna, e assim, os três Ogin correram em direção a um mal ainda desconhecido.















talvez eu termine essa história um dia, talvez (provavelmente) não. mas é divertido ler uma coisa que você mesmo escreveu, tanto tempo atrás.

Wednesday, January 05, 2011

A arte de ser um imbecil

Bom, nesses últimos anos eu tive a oportunidade de viver certas coisas que me fizeram perceber como a vida funciona. De forma inusitada e surpreendente amadureci e me tornei um imbecil, calma não me tornei um imbecil por completo apenas um imbecil circunstancial. Porque tive que me tornar um imbecil? Bom, depois de alguns relacionamentos mal sucedidos, e desilusões, percebi na verdade que as mulheres como um todo gostam de imbecis, e não tem essa de inteligente bonita que vai saber apreciar um nerd bonito e inteligente que nem eu, todas gostam de imbecis, sem exceção. Antigamente nos tempos das cavernas, o macho alfa era aquele com melhor aspecto físico e dentário, assim significava que era bom caçador e se defendia bem, portanto poderia defender a(s) fêmea(s). Os de aspecto viril eram os machos alfas do bando e os de franzino era o cérebro do grupo, bom existia ah necessidade dos dois naquela sociedade mais quem comia todas as safadas do grupo com certeza não era o cérebro. Os tempos mudaram lógico. Os valores também, hoje a mulher não quer aquele homem que a faça sofrer, e que mande nela e que imponha sua vontade, ela quer um homem que ah compreenda, que seja um amigo e que ah faça se sentir uma mulher independente.. BESTEIRA!! Isso não existe, é o que sai da boca delas, mas não é nem de longe a realidade, a mais inteligente, simpática e interessante das mulheres vai preferir um imbecil, no início até pode dá certo com o não imbecil, mais depois vai rolar um papo do tipo, sabe o que é, eu gosto muito de você, é o homem que qualquer mulher gostaria de ter e etc.. Você é o homem perfeito, mas... mas (sempre existe o mas) e provavelmente ela nem vai saber se explicar direito, e não é porque ela não quer te contar o porque que aquilo não pode dá certo, na verdade nem ela sabe mesmo. Mais a resposta daqueles três pontinhos é simples VOCÊ NÃO É UM IMBECIL, é por isso que não pode dá certo. Depois que o cara leva muito na cara e descobre isso ele tá preparado para um bom relacionamento duradouro. Parece fácil ser um imbecil, mas não é a menos é claro que você seja um imbecil por completo, este sim é muito fácil. Talvez o leitor não entenda essas diferenças, então eu vou tentar explicar rapidamente a diferença entre os dois. O imbecil circunstancial é aquele cara que é um imbecil pensante, aquele que se tornou por necessidade de sobrevivência, o imbecil por completo é aquele ser de intelecto espongiário, que ser imbecil é um fato natural e intrínseco, se o macho alfa fosse um imbecil por completo o seu bando estaria fadado ao fracasso com certeza. Se você é um imbecil por completo, é muito fácil ser um imbecil, afinal é só ser você mesmo, agora se você for um imbecil circunstancial é mais difícil, primeiro porque tem que agir como um imbecil e isso é meio escroto no início, depois você começa a ver os resultados positivos e pegar a prática, mas aí que mora o perigo, tem que ter cuidado para não transpassar o caminho sem volta do imbecil por completo. Ser um imbecil de várias formas atrai mulheres de diferentes tipos, depois de um tempo você vai perceber que tipo de imbecil você quer ser para atrair um determinado nicho de mulheres, quando achar a que você goste realmente mude de imbecil para não imbecil gradualmente, para não assustar, e lembre-se de virar um imbecil de vez em quando para que ela lembre que você é um macho alfa.
Esse texto não é de auto ajuda, provavelmente não te ajude em nada, primeiro; você não concorda com o texto só significa que ainda não está pronto para ser um imbecil, segundo; mesmo compreendendo, sempre pode aparecer aquela que você vai pensar.. ESSA É DIFERENTE, e com toda certeza, ela não vai ser. Mas com o tempo esses erros vão diminuindo e nos tornamos imbecis melhores, nos especializando cada vez mais na arte.

abraço

Friday, December 03, 2010

o mestre em ação

oportunidade incomum e preciosa essa, a de observar o mestre em ação. seja qual for o segmento referido, profissional ou um hobby qualquer, o mestre torna o cotidiano em arte.
verdadeiros mestres tem a capacidade de impressionar sem nenhum esforço. com 15 anos, indo pela primeira vez a uma aula de taekwondo, tive uma dessas raras oportunidades. observei mestre In Ho Oak, vulgo Coreano, em ação. o curioso sobre os mestres, é que seu nível de expertise muitas vezes beira a ficção. o asiático de um metro e meio se portava e movia-se como se retirado de um filme de kung fu,e até seu mais simples golpe, como um banal soco, era provido do que Musashi chamaria de "complexa simplicidade".
quando me refiro a "mestre" não subentendam que me refiro apenas às artes marciais. existem mestres em praticamente qualquer atividade possível. como por exemplo, os mestres da oratória.
assisti à missa de formatura do Tiago realizado pelo pastor Marcio Rosa e seu discurso confirmou o que sua postura sugeria: eu estava novamente diante do mestre em ação. essa é outra coisa curiosa sobre os mestres, eles não precisam fazer absolutamente nada para impor respeito, adquirem uma espécie de "postura do mestre" que, em alguns casos, exige um pouco de sensibilidade para ser notada. indivíduos realmente obtusos podem cruzar com mestres a vida inteira sem na realidade nunca se darem conta. realmente poderosos esses mestres da oratória, não existe talvez um indivíduo que não se entretenha e aprenda com uma aula do professor Ruy Guilherme, e muito poucos não aplaudem entusiasmados um discurso do professor Sansevero, falando, eles são mestres em ação.
a experiencia de presenciar o mestre em ação deve ser aproveitada ao máximo. pois só observando um verdadeiro mestre podemos nos conscientizar da nossa real ignorância, e de como é longo o caminho para a expertise. mestres não podem ser ignorados, eis outra de suas características. se destacam de tal forma que impõe acima de tudo respeito, mesmo a seus inimigos.
e assim, tendo a sensibilidade para reconhecer um mestre, a humildade para admirar suas habilidades, a consciência do tamanho de si, e a determinação para trilhar o caminho dos aprendizes, assim poderemos verdadeiramente crescer sem a cegueira ilusória do orgulho, e talvez quem sabe, as pessoas nos olhem, e mesmo não gostando ou não compreendendo exatamente o que esta acontecendo, elas respeitarão, pois estarão diante do mestre em ação.

Wednesday, November 17, 2010

capacidade x eficácia

Tudo estava correndo conforme o planejado. E não era justamente esse o problema?
Sentado perigosamente na beirada do terraço de um arranha-céus, um indivíduo qualquer
refletia sobre sua vida enquanto observava o contraste das infindáveis luzes da cidade com a noite escura.
E se seus planos tivessem sido mais ousados? e se tivesse arriscado um pouco mais sua aparente
estabilidade em prol da chance de avançar mais em direção às suas metas?
O fato de ser perfeitamente capaz de executar tudo o que planejar, levava-o a interminável
obrigação de fazer planos sempre, ou ser subjugado por um destino incerto.
Planejar, contudo, é só o primeiro passo. Existem ações a serem executadas em prol de uma meta
e cada uma delas exige um tipo de esforço diferente e, é claro, tempo.
Capacidade de execução, entretanto, ( e não é aí que está o âmago da questão?) não implica
100% de eficácia em todas as ações. Podemos estar preparados para evitar armadilhas ardilosas
num dia, e pisar em bosta de cachorro no outro.
Nossa eficácia portanto, apesar da capacidade permanecer inalterada, é variável. Se somos sempre
capazes, o que raios altera nossa eficácia tão rotineiramente? Era sobre esse dilema que nesse momento
figura solitária no alto do arranha-céus fritava cada mísero neurônio. Pois ele era capaz, mas nessa noite ( e
especialmente nessa maldita noite) havia sido ineficaz. Pondo abaixo assim uma meta, embora tudo houvesse corrido
como o planejado e , repito, era justamente esse o problema.

Thursday, November 04, 2010

A Flacidez de Miguel

Sim caros amigos, o Kojiro está de cara nova, o que não deve fazer muita diferença, já que não há tantas visitas assim, de qualquer forma é sempre bom mudar. Fato interessante é que o blog tem mais de 4 anos, fato fatídico é que ele está morrendo, mas quem sabe as coisas não voltam a ficar agitadas por aqui. É sempre tempo. Abaixo segue um conto que escrevi, ele é um tanto erótico, de humor saramaguiano, e detalhismo fredista. Se você é daqueles que não tem muito saco para ler contos, pode deixar um comentário mesmo assim, ao menos pra dizer que ainda visita o blog.

Um abraço.


A Flacidez de Miguel

Por que insistes no paralelismo, se tudo que te peço é um pouco de perpendicularidade?, perguntou-se Miguel, olhando para seu pênis flácido, que seguia teimoso na mesma direção de seu corpo. À sua frente, de pernas abertas, estava a mata rala de pelos pouco pudicos, porém sublimes. Não havia apenas um convite implícito, entre as grandes montanhas formadas pelas belas coxas morenas, e pelo vale que se desenhava com o declínio harmônico, do ponto máximo pontuado pelo umbigo, delicadamente desenhado, até a cavidade profana. Era uma ordem que se impunha veemente entre os corpos. Um indizível protesto de possessão, que era emitida pelas linhas pecaminosas da mulher, e questionava a demora de Miguel, que nervoso, suava. Mas o que ela não sabia era que não convinha a ser os desejos do pobre o impedimento maior para que se deixasse de enfiar o ferro em chamas, ao menos assim deveria estar, em sua receptora de prazer. Era, entretanto, o próprio instrumento mor, que, desfalecido de motivos suficientes, negava-se a prostrar-se de pé. Digo motivos, pois, por mais belo que fosse o corpo nu a sua frente o membro simplesmente não tomava vida, e sendo assim, motivos até então desconhecidos deviam existir para que o mesmo desistisse de exercer sua função prima.

Não que seja o único papel do pênis entrar no chanfro afrodítico. Mas isso foi tolice de Deus, que, possivelmente cansado de criar tantas diferentes plantas e incontáveis exemplares animais, nos dias que sucederam o ‘faça-se a luz’, limitou-se a agregar mais de uma função as coisas de menor importância. Quando, por fim, criou o pênis, poderia ele ter separado os cargos, e assim o homem mijaria por outro canto que não pelo mesmo que goza. Assim estaria distante de vez o que não serve, do prazer. Mas poderíamos nós, contrariar as idéias divinas? Talvez tenha sido esse mesmo o propósito. Do pau sairão os resíduos não aproveitados pelo corpo, pensara Deus, e também será fonte do jorro máximo do prazer, assim, o homem, que diferente do que dizem, é, assim como a maçã e sua cobra, a expressão vil do despudor, jamais esquecerá que a fonte do deleite, de tempos em tempos, também há de ser a fonte do impuro. Cheio de subliminarismo, esse nosso Deus, mas não culpemo-lo. Quando nos criou, por ingenuidade de artesão amador, achava que fazia sua maior obra. Descobriu depois a mulher.

Mas deixemos de divagar, e voltemos para Miguel. Talvez quem leia essa verídica história ache necessário conhecer melhor o homem que chamam de Miguel, haja vista que nome por nome ninguém é nada além de escolhas paternas. E Dona Clara, mãe do homem em questão, sem muitas opções, decidiu que para esta demanda, a letra ‘m’ daria um bom começo, pois dela partem os mares, as montanhas e o mundo. A segunda letra teria que demonstrar sua posição de subjugada, de assessória, e por isso Dona Clara escolheu o ‘i’, pois dele não se iniciam grandes coisas, ele era apenas incógnito, meio irrelevante e incolor. A terceira letra era a das mais importantes, pensava, pois era a consoante que daria o tom maior, depois de muito tempo decidiu que seria o ‘g’, pois ele era grande, garboso e glorioso. Para finalizar jogou algumas letras de menor valor, um ‘u’ ufanoso, um ‘e’ épico e um ‘l’ languido. Assim se formou Miguel, em título, mas não em intelecto. Sua vida, que compreende o tempo de seu nascimento até o presente momento, são, devo dizer com propriedade de quem vos escreve, que não foi nada que quadre contar, pelo contrário, pois começou enfadonha e deslizou monótona pela linha do tempo. E se o leitor persistisse na escrita de tal, mesmo que em poucas linhas, certamente as palavras e letras, veriam os pesados olhos do leitor se fecharem, amolados. Atenhamos-nos ao que delimita as mais relevantes peculiares, e deixemos o resto para outro momento. Até para não nos distanciarmos cada vez mais do mote central, que é o sexo, ou sua ausência.

O homem era um jornalista de mão e cabeça cheia. Usava sua incrível percepção para, com palavras, exprimir sua tão acertada crítica sobre a política e vida humana. Trabalhava no maior jornal da cidade, e dividia seu expediente entre as sujas páginas dirigidas ao parlamento e sua famosa coluna. De certo, poderia com muita facilidade escrever sobre o que lhe acometia naquele momento. Primeiro, como era de seu feitio jornalístico, tentaria encontrar uma linha original pela qual pudesse dissertar e depois com rápidas rabiscadas em seu bloco de notas faria de sua mais cruel experiência uma história que, mesmo comum a muitos homens, soaria inédita, tamanha a habilidade que o mesmo tinha para extrair do ordinário, detalhes, que são o valor de ouro da escrita. Mas, improvavelmente, falaria sobre aquilo, muito menos escreveria.

Estava Miguel tão perdido em divagações, que retornando ao quarto, o qual em momento algum saíra, limitou-se a mirar a morena em sua cama e dizer que aquela noite não era a da satisfação carnal. A porta de seu apartamento fechou-se com força, quando a mulher, bufando sua frustração pelos cômodos, partiu. Delicada como não era, nada disse, mas sua expressão feroz e sua linguagem corporal de pouco tato foi o suficiente para deixar o homem ainda mais para baixo, em sentido figurado, claro. Miguel este estava entre a cruz e a espada, ou melhor, entre o desejo e o relaxamento indesejável. O pior é que não estava estressado, preocupado com situação financeira, ou qualquer um desses ditos pretextos comuns dos que não ‘dão-no-coro’. Sequer doente estava, pelo contrário, apresentava uma saúde invejável, até mesmo para atletas amadores. O que o acometia era de ordem da psique, e por isso, não importava o estado de seus músculos ou a freqüência com que os exercitava. Seu problema era em fibras que não pediam nem aceitavam cobranças: o cérebro. Tão pior assim o era, pois os músculos, como o bíceps, são bastante sociáveis, e se deixam facilmente moldar por pedido ou ordem de seu portador. Já a massa cinzenta é arredia, não aceita mando e nega exposições desembestadas.

Com medo que a situação se repetisse, noutro dia mesmo, Miguel partiu a procura de um médico. Talvez na ciência encontrasse forças químicas que levantassem sua moral, que, abraçada à seu pênis, deixaria tudo em ordem. Mas a decepção não tardou a vir, pois o doutor nada constatou. À olhos clínicos, disse o especialista, ele estava perfeito. Mas isso era tudo o que não estava. Homem nenhum vive sem sexo e sexo nenhum se faz sem ereção, ou o pau começava a mirar o céu, ou a cara, de vergonha, se volta para o chão.

Rumou então à busca de outros caminhos que não o da erudição medicinal. Precisava de alguém que tratasse o intangível, foi atrás daquele que de certo seria o mais indicado para os causos de desordem mental, o psicólogo. Mas para que não se frustrasse ainda mais, a vida, penosa como é, cuidou de adiantar à Miguel que daquele mato não sairia coelho, muito menos um daqueles que férteis, desembestam a transar a torto e a direito.

Miguel estava prestes à descambar de vez para as terras áridas da depressão. Longe de lá não estava. Pode parecer exagero, ainda mais se o leitor for uma leitora, pois não apenas um par de fartos seios e uma divina racha a diferem dos homens. Elas pensam com um cérebro que não é o deles, e por isso, o enrijecer das partes púbicas as são apenas ato repetitivo, que não necessita esforço e não fundamenta a escrita deste conto. Mas garanto a elas que, falhar na hora ‘agá’, é ação abusada que não cabe comparação com nenhuma outra situação. Basta dizer que, quando não se levanta o pau, sequer ficam, os homens, a ver navios, pois todos jazem naufragados antes mesmo do velejo.

Uma meretriz, pensou o homem frouxo, deve dar fim a minha epopéia. Uma puta era a última solução, pois se nem ela, doutrinada na arte do prazer, pudesse colocar estímulo no membro desfalecido, nem mesmo reza ou macumba dariam jeito. Para não dar tiro no escuro, decidiu consultar em todos os cantos e com todos os conhecidos, a melhor profissional do sexo da cidade. Só depois de muito listar é que chegou a um pequeno elenco de três mulheres. Como não sabia qual procurar, julgou melhor ser de total franqueza com a primeira do rol, e assim sucedeu dele dizer Alô, e do outro lado a resposta feminina: Marta, especialista em sexo, como posso lhe dar prazer? Me chamo Manoel, mentiu Miguel, como todo e qualquer homem que fala pela primeira vez com uma prostituta, Olá Manoel, Sei que é pedir demais, mas será que poderia me tirar uma dúvida? Olha querido, a voz se tornara impaciente, eu cobro pra transar, pra tirar dúvida nada lucro, então não me interessa dar resposta alguma, Mas é caso de vida ou morte, bem ao menos é como se aparece pra mim, Tardas a dizer logo então, que tempo de foda não se perde ao telefone, Meu negócio não cresce mais, Está falando de pau ou de empresa? Pois de empresa não entendo, De pau, De pau entendo, Então me ajuda, Querido se o teu problema é subir você precisa ir com uma especialista, Por isso mesmo decidi perguntar para você quem devo procurar, Miguel citou então os outros dois nomes que estavam em sua seleta lista, Amor, essas que você disse são as melhores do ramo, mas só trabalham com pau pronto, para você nenhuma delas serve, Nem a ti, perguntou, Nem a mim, você precisa é de serviço brabo, por isso deve procurar Zuleida Paixão, Ela é boa mesmo?, Só não levanta defunto porque esses não podem pagar, Então é ela. Sem delongas a meretriz passou o endereço de Zuleida Paixão, a levantadora de cobras, e o homem de nome falso desligou.

Não morava na cidade a tal da última solução. Foram precisos alguns minutos em estrada de chão até chegar à uma pequena chácara, onde a placa dizia ‘Recanto da Paixão’, deveria ser lá. Miguel já esquecido de seus modos, entrou sem fazer cerimônias pela porteira aberta, quem o recebeu, porém, foi um negro enorme, que vestia apenas uma calça branca, parecia um capoeirista ou um escravo de senzala. Que queres?, Procuro Zuleida, E qual é o teu problema?, É particular, Entrou na chácara sem pedir licença, o mínimo que deve é uma resposta, Não acho que nada devo, mas já não tenho muita dignidade para defender, venho por motivos de sexo, Imaginei que fosse, por muitos interesses procuram Zuleida, mas homem só vem até aqui por razão da carne, E muitos vem, perguntou Miguel, De tempos em tempos, E ela resolve todos?, Não saberia dizer, pois não deitam à cama comigo. Dando as costas, o negro deu fim a prosa, e com um sinal da mão, pediu que Miguel o acompanhasse.

Os dois entraram em uma pequena paliçada, lá dentro estava Zuleida, uma mulher de pele escura como a noite, lábios carnudos e cabelos encaracolados até a cintura, estava de cócoras segurando uma longa folha de bananeira. Usava longos colares de infinitas pedras e um vestido amarelo terra, que deixavam pouco evidente seus quarenta e poucos anos. Com um movimento da cabeça ela fez com que o capoeirista saísse da tenda, ficando a sós com o estranho, seus olhos grandes estavam compenetrados na fumaça suave que se levantava de um apanhado de ervas que queimava numa fogueira improvisada no chão. O cheiro era forte e doce. Tem problema para levantar?, Como sabe? Já está estampado na minha face?, Homem que vem até a minha chácara só quer uma coisa, Não ei de ser diferente, Então te sentas, e apontou para uma velha cadeira de couro de cabra. Miguel estava se sentindo incomodado com a escuridão e com a fumaça que ia se tornando mais espessa, mas não convém reclamar quando se avizinha a solução. A mulher se levantou, era mais alta do que aparentava, maior do que o capoeirista, colocou a folha defumada dentro de uma cesta de vime presa ao teto e se ajoelhou na frente do flácido. Antes mesmo que pudesse protestar, Miguel teve suas calças arrancadas com violência, ruborizou ao se ver nu, mas nada disse. Com suas grandes, porém delicadas, mãos, a mulher tomou o membro morto e o olhou atentamente, de cima a baixo, por todos os lados. Ao constatar que não havia sinal algum de rasura, desceu a cabeça em sua direção. Miguel estremeceu. Primeiro Zuleida pôs seu nariz entre os baixos e grossos fios do pentelho, inspirando lentamente o aroma libidinoso. A grande boca beijou a base do pau, e a língua correu até a glande, pôs então o pau todo em sua boca e sugou suavemente. Em choque o homem sentia pouco da boca feminina, mas a mixórdia que se dava da fusão entre a fumaça inebriante, da quimérica mulata e da penumbra fantasiosa, lançavam cortinas que iam tampando qualquer percepção cética. Aos poucos não havia problema algum, não havia mole nem duro, nem triste nem feliz, nem vivo nem morto. E a mulata sugava. Não demorou para que em riste, e por escolha própria, o pênis ficasse. Duro como ferro, foi lambido pela língua vermelha da mulher, que se enrolava no corpo quente e o molhava com saliva. Gemidos partiam dos dois, mas quase inaudíveis, tamanho era o batucar de tambores e dos trompetes que vinham de lugar nenhum. Miguel quis gozar, e Zuleida pediu que gozasse em sua boca. Quanto o clímax se aproximou, a mulher apertou forte o membro e o chupou com fogo, o orgasmo se deteve por um segundo, sabendo que era o ponto máximo, mas também o fim, e Miguel não queria parar. Mas dessas coisas não nos cabe escolhas. O gozo saiu. Zuleida sentiu o tesão do homem preencher sua boca e não desperdiçou uma gota sequer, só quando o pau foi desfalecendo lentamente é que ela desprendeu-se. O batuque cessou, a fumaça foi dispersando gradualmente. Miguel parecia acordar de um transe, estava suando frio, as mãos não paravam de tremer, mas conseguiu se concentrar para colocar novamente as calças. A mulata já estava mais uma vez acocorada frente ao fogo, com a folha de bananeira em mãos.

Estou curado, perguntou o antigo flácido.

- Fred Martins